Fratelli, ma non tutti: neorreacionarismo católico e violência intrarreligiosa em ambientes digitais
DOI:
https://doi.org/10.25247/2595-3788.2026.v9n1.p42-62Palabras clave:
Violência religiosa, Ambientes digitais, Neorreacionarismo católico, Excomunicação, Fraternidade universalResumen
Ao longo da história, a relação entre religião e violência não constitui uma anomalia, mas sim um traço recorrente das formas pelas quais o sagrado é mobilizado. Na contemporaneidade, essas dinâmicas reconfiguram-se profundamente no interior de uma ecologia comunicacional marcada pelo processo de midiatização, em que a ampliação das possibilidades de expressão e conexão proporcionada pelas plataformas digitais convive com a intensificação de práticas de hostilização e silenciamento, frequentemente legitimadas por discursos religiosos. A partir desse contexto, este artigo problematiza a violência religiosa simbólico-verbal em ambientes digitais, especificamente no interior do catolicismo brasileiro, no qual emerge uma tensão fundamental: a violência discursiva entra em contradição com os princípios que sustentam a própria identidade desses sujeitos e comunidades. Para isso, percorreremos quatro movimentos articulados: 1) refletiremos sobre a relação histórica entre violência religiosa e processos midiáticos; 2) aprofundaremos a noção de violência simbólico-verbal e sua especificidade no contexto das redes digitais; 3) examinaremos a intensificação dessas dinâmicas nos ambientes digitais, refletindo sobre a cultura do cancelamento, os haters, o discurso de ódio e o “efeito-enxame”; e 4) analisaremos a violência intracatólica e o paradoxo teológico-comunicacional que decorre de fenômenos como as “cibermilícias católicas”, o “neorreacionarismo católico” e a prática da excomunicação. Em conclusão, defende-se, com base no magistério eclesial recente, que somente uma comunicação universal fundada no amor fraterno e no diálogo social é capaz de gerar uma cultura de paz “desarmada e desarmante”.
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